Lesão SLAP

O que é a lesão SLAP?

Lesão SLAP é uma lesão de ombro, que ocorre no “lábio glenoidal”, um tecido que recobre o bordo externo da cavidade glenóide, o local onde a escápula e o úmero (osso do braço) se articulam. Mais especificamente, a cabeça do úmero (parte de cima do osso do braço) é que se articula com a cavidade glenóide.

a cavidade glenóide, numa visão lateral. A frente do corpo está à direita.

E o que o lábio glenoidal faz?

Em primeiro lugar ele cria uma concavidade onde o osso do braço pode se encaixar mais adequadamente. Sem ele o úmero não se estabilizaria adequadamente, tendendo a escorregar mais para fora, pois a superfície não seria côncava o suficiente para um encaixe correto. Em segundo lugar, ele faz com que a superfície da cavidade glenóide seja, efetivamente, maior.

E o que significa SLAP?

SLAP significa superior labrum anterior to posterior, ou seja, lábio superior anterior para posterior. É uma lesão que ocorre na região de cima do lábio, e vai da região da frente para a de trás do tendão (“anterior to posterior”) do músculo bíceps braquial, que se fixa nessa região.

Quais os tipos de lesão SLAP?

Existem 4 tipos de lesão SLAP:
. Tipo I: degeneração do lábio superior, mas com o lábio glenoidal e inserção do bíceps intactos.
. Tipo II: degeneração do lábio superior, com o lábio e inserção do bíceps desinseridos, gerando uma fixação instável. Esse é o tipo mais comum em atletas.
. Tipo III: lesão em “alça de balde” do lábio superior, mas com as porções restantes do lábio e inserção do bíceps firmes.
. Tipo IV: lesão em “alça de balde” do lábio que se prolonga até o tendão do bíceps, ambos entrando na articulação.

Como ocorre a lesão SLAP?

. quedas: cair de lado com o ombro poderia promover uma compressão direta sobre o lábio, levando à lesão SLAP. Outra forma é caindo sobre a palma da mão, com o braço esticado. O braço seria empurrado em seu eixo contra a parte de cima do lábio.
. no arremesso: no momento em que o braço está aberto para o lado, com o cotovelo fletido e a mão na altura ou acima da cabeça, a cabeça do úmero (osso do braço) pode pressionar ou “bater” no lábio, desgastando-o. Dentro do gesto de arremesso as fases onde isso pode acontecer são as de “preparação tardia” e de “aceleração”.
. no arremesso: na fase de “follow-through”, ou seja, depois que a bola saiu da mão. Nesse momento é necessário tanto o controle da extensão do cotovelo, como a manutenção do encaixe adequado do ombro. O “bíceps” acaba sendo intensamente exigido, podendo assim haver uma avulsão nele ou no lábio.
. encurtamento da cápsula posterior do ombro: o encurtamento da região posterior da articulação do ombro tirariam a cabeça do úmero de seu local ideal, empurrando-a mais para cima durante alguns movimentos. Em certos movimentos, como nos que descrevemos acima para o arremesso, isso iria favorecer uma maior torção e tração do tendão do bíceps no local onde se fixa. Isso favoreceria a lesão SLAP.
. carregar objetos pesados: carregar um objeto pesado pode tracionar o tendão do bíceps excessivamente, especialmente se acontecer de deixar cair e pegar o objeto antes de chegar ao chão.

Quais os sintomas da lesão SLAP?

. dor no ombro, especialmente ao se levantar o braço acima da cabeça ou ao se tentar alcançar as costas com a mão.
. pode haver crepitação (estalos), rangidos ou travamentos.
. dor na realização das atividades de vida diárias, como lavar louça, varrer, pegar objetos, carregar pesos, etc.
. instabilidade no ombro, como se pudesse “sair do lugar”.
. dor ao se deitar sobre o ombro machucado.

Quais os tratamentos da lesão SLAP?

Em geral o tratamento deve ser feito por cirurgia (artroscopia), pois o tratamento conservador não traz bons resultados.

O tratamento fisioterapêutico após cirurgia de lesão SLAP se inicia logo após a cirurgia.

E como é o tratamento fisioterapêutico após cirurgia para lesão SLAP?

Numa fase inicial da recuperação após cirurgia de lesão SLAP é necessária a proteção da articulação e a redução de edema (“inchaço”). Nessa fase exercícios leves como subir a mão pela parede como se estivesse “escalando com os dedos” em amplitudes curtas podem ser orientados, mas a maior parte do tempo o paciente passará usando uma tipóia. O uso de gelo será constante tanto para evitar aumento do edema, como para redução da dor (devido à cirurgia), e prosseguirá mesmo nas fases seguintes.

Após isso se inicia o trabalho de ganho de arco de movimento juntamente ao início do fortalecimento muscular. Sempre há, por parte do médico cirurgião, uma limitação nos movimentos que são permitidos. Isso visa deixar com que os tecidos do ombro possam se cicatrizar com segurança. Dessa forma, nada de trazer o braço lateralmente para trás ou rodá-lo para fora. O fisioterapeuta irá ajudar e orientar o paciente sobre como realizar os exercícios de ganho de movimento, sendo auxiliado a elevar o braço ou movê-lo em outras direções, de forma progressiva. Os exercícios de fortalecimento podem se iniciar de maneira isométrica (sem movimentar o braço) passando para ações com movimento depois. Fortalecimento de regiões ao redor da articulação machucada pode ser feito, como elevação de ombros e fortalecimento dos músculos ao redor da escápula.

Após ser liberada maior amplitude de movimento, o que leva algum tempo, se inicia um fortalecimento mais intenso da musculatura. No início, ainda com cuidado para não forçar muito o braço lateralmente. A intensidade das cargas e tipos de exercícios deve avançar progressivamente para total segurança da recuperação.

Para atletas, à medida em que a fase de fortalecimento vai evoluindo, são iniciadas atividades mais aproximadas àquelas do esporte realizado. Isso visa trazê-lo mais próximo do que ele vai realizar, deixando-o preparado para os esforços intensos e repetitivos que o esporte exige.

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