Liga Mundial: Brasil perdeu a final para EUA

eua_lm14

FLORENÇA, ITÁLIA — Ainda não foi dessa vez. Em busca do décimo título da Liga Mundial de Vôlei, o Brasil foi derrotado, neste domingo, pelos Estados Unidos, por 3 sets a 1 (31/29, 21/25, 25/20 e 25/22), e terminou em segundo pela terceira vez em quatro anos na competição. Na disputa do bronze, a Itália bateu o Irã por 3 sets a 0 (25/22, 25/18 e 25/22), e ficou em terceiro pela segunda vez seguida.

Melhor em quadra, os Estados Unidos, que conquistaram seu segundo título na competição — o primeiro havia sido em 2008, no Rio —, mostraram que têm uma equipe forte para o Mundial, de 30 de agosto a 21 de setembro, na Polônia, e para as Olimpíadas de 2016. A dupla Taylor Sander e Matt Anderson foi o destaque da partida, com 24 e 23 pontos, respectivamente. Do lado brasileiro, Wallace foi o maior pontuador, com 16 acertos. A atuação dos americanos recebeu elogios do técnico brasileiro, Bernardinho.

— Eles jogaram melhor, apresentaram um volume de jogo muito grande. Voltamos a errar muito e, contra um time desses, não podemos errar tanto. A consistência deles nos incomodou. Nós lutamos muito, fico triste pela derrota, mas é mais uma lição, sabermos que o time dos Estados Unidos vieram para brigar e em 2016 vão tentar para o ouro nas Olimpíadas — reconheceu o treinador. — Entramos um pouco abaixo, o Lucão, por exemplo, teve dificuldades… os americanos pararam ele e não conseguimos resolver isso. Agora é um mês e meio até o Mundial, temos que fazer muitos ajustes. Demos uma série de passos, criamos uma expectativa gigantesca, mas ainda há muito o que fazer. Tecnicamente, eles foram superiores.

— Eles foram superiores. No primeiro set, tivemos chances de contra-ataques, mas a partir do terceiro set, eles foram melhores do que a gente imaginava, principalmente no passe. A gente fica frustrado, não adianta, mas não vamos parar por aqui. Temos que continuar lutando ainda. Precisamos trabalhar mais porque esse mundial, em setembro, vai ser ainda mais difícil — acrescentou o levantador Bruninho.

O ponteiro Taylor Sander, que foi o grande destaque dos Estados Unidos na fase final da competição, foi eleito o melhor jogador da Liga Mundial. Na seleção do campeonato, três brasileiros: o ponteiro Lucarelli, o oposto Wallace e o central Lucão. Completam a equipe: o ponteiro Sander e o experiente central David Lee (EUA), o líbero italiano Rossini e o levantador iraniano Lakahi.

BRASIL VOLTA A SOFRER COM ALTOS E BAIXOS

O jogo começou equilibrado, com o Brasil marcando bem os Estados Unidos. Com uma boa recepção e variação no ataque, a seleção chegou a abrir 7/4, mas viu os americanos encostarem com a passagem de Sanderson pelo saque, 7/6, chegando à primeira parada técnica com dois pontos de vantagem, 8/6. Enquanto Bruninho aproveitava bem as jogadas na ponta com Lucarelli e, no meio, com Lucão, os americanos exploravam as jogadas com Anderson e Sander. Com os dois bloqueios amortecendo praticamente todas as bolas, as duas equipes ficaram trocando pontos, com o Brasil mantendo a vantagem na segunda parada técnica: 16/14. Em um ataque de Anderson, que marcou seu sétimo ponto, os EUA empataram em 21/21. No ataque de Lucão, o Brasil fez 24/23, mas Sander empatou e, com um ótimo saque, forçou dois toques de Bruninho, e colocou os americanos na frente, 25/23, pela primeira vez na partida. Bernardinho parou o jogo e, na volta, Sander sacou para fora. Lucarelli bloqueou o ponteiro americano, a seleção fez 26/25 e o treinador John Speraw pediu tempo. Com um ataque de Wallace, explorando o triplo americano, o Brasil fez 27/25, mas os americanos pediram desafio e o árbitro deu o toque na rede de Murilo. No bloqueio de Lee, parando o ataque de Lucarelli, os EUA ganharam o primeiro set por 31/29.

No segundo, o equilíbrio continuou. Com um ace do levantador Christenson, o primeiro da partida, os Estados Unidos passaram à frente, em 4/3, mas Wallace empatou, e o Brasil chegou ao primeiro tempo técnico na frente: 8/7. Com mais volume de jogo, uma ótima defesa e aproveitamento dos contra-ataques, os americanos passaram a jogar melhor que a seleção brasileira e, em um erro de ataque de Lucão, fizeram 13/11. O central foi para o saque e se redimiu: com um ace (o primeiro da seleção no jogo), empatou a partida e com um outro bom saque, desestruturou a defesa americana, botando o Brasil à frente: 14/13. No bloqueio de Sidão, a seleção foi para a segunda parada técnica com um ponto de vantagem: 16/15. O levantador Raphael entrou na inversão e sua passagem pelo saque fez um estrago. O Brasil abriu 20/15, a maior vantagem de um time no jogo até então. Lucarelli fez 21/17. Vissotto atacou para fora, mas Anderson sacou longe: 22/19. Holt bloqueiou o oposto brasileiro e os americanos encostaram, 22/20, o que fez com que Bernardinho pedisse tempo. Em um ataque errado de Sander, o Brasil fez 24/21, e em outro erro americano, fechou em 25/21, empatando a partida em 1 a 1.

O Brasil começou o terceiro set com 3/0, mas rapidamente os americanos empataram e, com dois pontos seguidos de Sander, passaram à frente 5/3. Sem paciência para virar as bolas, os jogadores brasileiros se desconcentraram, passaram a errar, e Bernardinho pediu tempo. Não adiantou. Com erros sucessivos na recepção, a seleção parou de virar as bolas e só viu os americanos abrirem: 10/5. Wallace diminuiu, 10/6, mas com mais um erro de Lucão, os EUA fizeram 11/6. Bernardinho tirou o central e colocou Éder pela primeira vez na partida. A mudança não surtiu efeito. Com muita dificuldade na recepção e no passe, e, consequentemente, sem conseguir ser eficiente no ataque, os brasileiros viram os americanos chegarem na segunda parada técnica com 16/10. Com vantagem no placar, os EUA só administraram o set e, sem a pressão das duas primeiras parciais, fecharam o set em 25/20 num erro do central Sidão, que sacou para fora.

A seleção voltou melhor no quarto set, e conseguiu manter o jogo equilibrado, mesmo ainda com mais deficiências na linha de passe, e sem conseguir forçar tanto o saque. As duas equipes ficaram se revezando na frente, até 16/16. Mas os erros brasileiros pesaram, primeiro com Sidão, depois com Lucarelli, que atacou para fora, e os EUA chegaram a 18/16, forçando Bernardinho a parar o jogo. Murilo empatou em 19/19, Anderson empatou em 20/20. Holt, no contra-ataque, colocou os americanos na frente, 21/20, e, depois, 22/21. Sander fez 23/21 e, quando os brasileiros tiveram a chance de empatar, também num contra-ataque, Lucarelli parou no bloqueio americano: 24/22. E, em um ataque de Sander, sempre ele, os EUA fizeram 25/22, fecharam a partida em 3 sets a 1 e conquistaram seu segundo título da Liga Mundial.

Be the first to comment

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: